Realmente eu não saberia explicar porque nunca havia estado
no Roça ‘n’ Roll antes, talvez um pouco de preconceito, imaginava que o negócio
era uma bagunça, a distância que separa São Paulo de Varginha, a falta de
companhia, a dificuldade de transporte, bem a verdade é que finalmente visitei
o festival, e me surpreendi positivamente em vários aspectos, que vou explicar.
Fui até Varginha no sábado de manhã com meus amigos Eduardo,
Boninha e um primo do Eduardo, o Rodrigo ( algumas pessoas que leem o blog, ou
os livros reclama dessas minhas citações, mas preciso dizer quem foi comigo),
chegamos cedo ao local e pudemos desfrutar da espetacular comida mineira em um
restaurante típico da região, foi um verdadeiro banquete que animou todo mundo
antes do festival.
A segunda etapa era descobrir exatamente onde ficava a
Fazenda Estrela, onde seria realizado o festival, imaginamos que a cidade toda
saberia informar, mas não foi o que aconteceu, por sorte o hotel onde nos
hospedamos era um dos apoiadores do festival e nos informaram com clareza como
chegar ao local, que por sinal fica a cerca de vinte minutos do centro da
cidade, bem tranquilo chegar até lá.
Ao chegar ao local, a primeira surpresa foi notar que o festival
se parece com um Wacken em miniatura, e o mais legal é que toda a estrutura
funciona perfeitamente, há bastante comida com preços praticáveis (só o
x-salada era bem caro, mas o restante das coisas dava para comer na boa), e
também as bebidas tinham um preço legal.
Falando em bebida, só achei estranho não haver pinga, afinal
estava em Minas Gerais, seria aliás até interessante se houvesse uma pinga
oficial do festival.
Ainda sobre a estrutura, havia uma lojinha também com
merchandise das bandas, por preços honestos. Ao comprar o ingresso eu optei por
um pacote que incluía além do ingresso um DVD e uma camiseta, ambos muito
interessantes, porém seria legal se fossem entregues antes de entrarmos no
festival, pois assim não haveria necessidade de ficar segurando aquilo.
Bem, como podem ver aprovei bastante a estrutura, mas agora
era o momento de assistir aos shows, aí vem mais uma surpresa agradável, o som
estava muito bom em todas as apresentações, legal notar que a bandas nacionais
não foram desrespeitadas, uma ótima sacada da produção foram os dois palcos,
pois assim que uma banda terminava o set, a outra já começava a apresentação, o
que deixava o festival sempre animado.
A primeira banda que assisti, foi o Ossos do Baquete, fazem
um som legal, algo como um Rock’n’Roll mais pesado com letras em português,
achei bem interessante. Na sequência veio o Aneurose, com um Thrash moderno que
lembra bastante o Pantera, a banda também é muito competente, e mais uma vez
parabéns à produção, pois com um palco e sons descentes, podemos perceber como
as bandas nacionais estão com alto padrão de qualidade, mesmo as mais
underground.
O Drowned era uma banda que eu queria realmente assistir, já
os havia visto em outra oportunidade, a mais uma vez fizeram um grande show,
tocando Death Metal clássico. Estava curioso para assistir ao Cólera, não sou
um grande fã de Punk, mas gosto de algumas coisas, porém não gostei do show, o
vocal não me agradou, pelo menos deu tempo para tomar umas cervejas e conversar
um pouco, isso me lembra outra coisa legal, o público do festival respeitou
todas as bandas, e além do mais agitou bastante, lógico tinha um pessoal bêbado
caindo, mas mesmo assim não incomodavam ninguém.
O Nervochaos foi outra banda que fez um grande show, é
incrível o peso deles ao vivo, nem precisa dizer que o público agitou bastante,
e começaram a surgir vários circle pits na plateia. Na sequência veio o
Motoserra Truck Clube, bem eu não curto
muito o estilo da banda, mas não dá para dizer que eles não são competentes
naquilo que fazem, além do mais o Hino do festival ficou legal na versão
apresentada. O mesmo pode ser dito do Malefector, não curto o estilo da banda,
mas os caras são realmente competentes ao vivo, e fizeram um show correto.
Um banda que me surpreendeu bastante foi o Cracker Blues,
puta merda o show foi realmente muito legal, a banda mais legal entre as
nacionais sem dúvida nenhuma, eles tocam um blues pesado com pitadas de classic
rock, e mais uma vez foi legal ver o pessoal do Metal Extremo e Punks
respeitando a apresentação, nota dez para o público também.
Após o grande show do Cracker Blues, era o momento de
assistir aos Orphaned Land, uma banda que eu estava bem curioso para assistir,
foi quando veio a decepção. Não sei por qual motivo esse foi o primeiro show
que atrasou, a banda demorou bastante para subir ao palco, a quando entraram em
cena o som não estava legal, além do mais o vocalista desafina demais, veja bem
a música deles é bem interessante em estúdio, mas pelo menos para mim não
funcionou ao vivo, principalmente em um festival.
Após essa pequena decepção foi legal assistir a mais uma
surpresa o Devon, que lembra bastante o Primal Fear, principalmente por conta
do vocalista que se parece até fisicamente com Ralf Scheepers, aliás uma
curiosidade, essa foi a primeira banda a tocar covers no festival, é muito bom
saber que as bandas nacionais estão cada vez mais investindo em sons próprios
de qualidade.
Chegou então a hora da banda que eu mais esperava, uma das
minhas favoritas o Grave Digger, e os caras não decepcionaram, primeiro pela
humildade, pois antes do show lá estavam os músicos passando o som no palco, e
depois pela apresentação, que se não foi a melhor que já assisti da banda, foi
novamente acima da média, e o set list funcionou muito bem, embora pudessem ter
começado com outra música que não “Clash Of The Gods” que não é ruim, mas não
fica legal no começo do show, no mais é difícil não se empolgar com clássicos
como “Excalibur” ou “Heavy Metal Breakdown”, ainda mais foram tocadas duas que
eu não esperava, “Killing Time” e “The Last Supper”, pena que não pude assistir
a banda no dia seguinte em São Paulo.
Quando Martin Walkyer & Thuatha
De Danann entraram no palco, estava bem frio, o show começou bem animado,
porém o cansaço já batia forte e decidirmos ir embora, pois no dia seguinte
pela manhã pegaríamos a estrada, foi uma pena perder o show e o restante do
festival, mas mesmo assim tudo valeu muito a pena, se você nunca foi ao Roça’n’Roll
e puder, vá, o festival realmente foi aprovado, e estarei de volta com certeza.