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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

David Torn – Sesc Belenzinho, São Paulo 21/01/2012.


Sábado chuvoso e lá vou em a caminho do Sesc Belenzinho para mais um show de Jazz, sem antes passar em um bar e tomar umas com alguns amigos.
Cheguei ao local perto do início da apresentação, estava vazio e dessa vez diferente de outras visitas ao Sesc, o pequeno teatro acabou não lotando.
No horário marcado a banda sobe ao palco, os músicos não tinham microfone, então acabei não entendendo o nome do saxofonista e do baterista, mas eles formavam um trio com Torn, que lembrar bastante Carlos Bianchi, principalmente por causa do cabelo.
Uma certa demora para o ajuste do som, e o show começa. É bem complicado descrever o som do trio, mas uma coisa é certa, não é pop, aliás muito distante disso, visto que o show teve duas músicas somente, com a primeira demorando cerca de uma hora e a segunda quarenta minutos, ambas repletas de microfonias e sons dissonantes.
Quando David tocava era uma maravilha, visto que o cara realmente domina o instrumento, mesma coisa do saxofonista e baterista, mas quando investiam nos efeitos, confesso que o show ficava meio maçante, inclusive foi a primeira vez que vi tanta gente abandonar o local do espetáculo, situação até constrangedora.
No final o músico foi bastante aplaudido pelos que restaram, é um tipo de música difícil é verdade, mas no final acabou sendo positivo, talvez com um pouco menos de viagens sonoras o show teria sido melhor, mas ainda assim não saí reclamando não, vou até procurar mais material para escutar.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

D.R.I. – Live, 1994


Eu até poderia comentar esse álbum inteiro em uma linha, e simplesmente dizer que ele é uma porrada, qualquer um que escutasse estaria contente com a descrição, pois o que se vê em “Live” é exatamente uma porrada, do início ao fim.
Uma introdução até meio estranho procede a primeira pancada “Thrashard” tocada de maneira furiosa, inaugurando o play em grande estilo, em seguida “Acid Rain” não deixa a bola cair, com seu riff furioso e levada ultra pesada.
A curta e insana “Mad Man” vem praticamente emendada em “Couch Slouch”, nesse momento é até possível imaginar os circle pits, acontecendo no local do show, é difícil até ficar sem balançar a cabeça ou pelo menos batendo os pés ao ouvir isso, nem a um pouco mais cadenciada “Argument Then War” nos tira essa vontade.
“The Application” tem uma letra bem legal e o clássico “I Don’t Need Society” novamente traz insanidade aos alto-falantes, ou fone de ouvidos grudada na matadora “Hardball” com seu refrão fácil de guardar que funciona perfeitamente ao vivo.
Outro grande clássico da banda é “Violent Pacification” tocada aqui de forma magistral, que antecede a mais trabalhada e thrash “Beneath the Wheel”.
A insanidade volta a tomar conta do álbum nas curtas e velozes “The Explorer” e “Commuter Man” ambas tocadas de forma pesadíssima com grande destaque para o baixo de John Menor, que faz um ótimo trabalho durante todo o álbum, não desmerecendo nenhum dos outros músicos.
“You Say I'm Scum” é outra um pouco mais cadenciada, ideal para um descanso no show, mas logo em sequencia aparecem dois clássicos absolutos “The Five Year Plan” do álbum “Crossover” e para mim melhor do play e “Suit and Tie Guy” onde novamente é possível imaginar como estava a casa de shows naquele dia, no final “Nursing Home Blues” encerra tudo em grande estilo.
Se você gosta de um som pesado, rápido direto e sem frescura, precisa ouvir esse álbum, se é que já ouve ele pelo menos uma vez por mês, totalmente recomendado.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Marcos Ottaviano – Sesc Vila Mariana, São Paulo 17/01/2012.


O dia não poderia estar mais propício para um show de Blues, uma terça-feira chuvosa e nublada em pleno verão brasileiro.
Saí do serviço um pouco mais tarde que de costume, pois eu teria bastante tempo para chegar até o local do show com tranquilidade, parei no boteco e comi um hambúrguer com um suco, pois infelizmente estava tomando remédio então nada de álcool, e por sorte peguei o metrô vazio, mesmo com a chuva e horário, confesso que até estranhei.
Cheguei ao Sesc e não havia muita gente por lá ainda, somente os frequentadores habituais, como estava cedo, tive tempo de ir para a sala de leitura onde pude ficar em um sofá confortável lendo um livro, até o momento do show.
Eram oito e quinze quando cheguei à porta no auditório, o público era muito pequeno, entrei e sentei no lugar reservado. O horário do show se aproximava e nada do local encher, cheguei mesmo a imaginar que seria aquele o público total, o que seria uma decepção, eram oito e vinte e cinco, e faltando cinco minutos para o show em minha fileira por exemplo havia somente eu e mais uma pessoa, por sorte em um piscar de olhos os assentos foram sendo ocupados, e quando percebi o auditório estava com sua capacidade quase total.
Com cerca de cinco minutos de atraso Marcos sobe ao palco e explica como seria o show, um apanhado sobre a história da guitarra no Blues, começando lá nos anos vinte, e convida o guitarrista Amleto Barboni e ambos com violões iniciam os primeiros acordes de “I’m So Glad” e o clássico de Robert Johnson “Love In Vain”.
A princípio eu não gostei do vocal de Barboni, parecia não combinar com aquelas melodias, porém com o tempo confesso que ele melhorou e sua voz combinou mais com o Blues elétrico.
Os dois são excelentes guitarristas, e para completar o time surge primeiro o baterista Humberto Zigler, com uma bela pegada e que demonstra tocar com muito feelin’ e depois o baixista Andrei Ivanovic, uma figuraça, mas que manda muito bem no comando das quatro cordas.
É até difícil destacar algo entre os clássicos tocados, “Little Wing”, ‘I Can’t Be Staisfield”, “Stormy Monday” ou “Killing Floor” essa para mim a melhor da noite, todas elas tocadas com perfeição uma homenagem perfeita a mestres do Blues como T-Bone Walker e Elmore James.
Durante as músicas os guitarristas trocavam constantemente de instrumentos, utilizando guitarras míticas como Telecaster e Stratocaster, mas isso em nada atrapalhava a dinâmica do espetáculo, visto que cada solo animava mais o público, que aplaudia intensamente ao final de cada música.
Infelizmente o show foi meio curto, com pouco mais de uma hora de duração, mas o final com a banda executando “Talk To Your Daughter” já valeria o ingresso, no final ficou a certeza de que nada é tão legal quanto assistir a um show de Blues depois do serviço, confesso que ficou faltando somente uma dose de uísque para a noite ficar perfeita.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Nosferatu com André Abujamra – Sesc Vila Mariana, São Paulo 13/01/2012


Eu sempre fui curioso para saber como era feita uma trilha sonora de um filme, uma vez que sempre fiquei impressionado em como uma música pode complementar uma cena, então essa seria uma oportunidade única, rever o clássico Nosferatu com a banda de André Abujamra tocando a trilha ao vivo, tudo em uma sexta feira treze, realmente não tinha como perder.
Cheguei cedo ao local e pude ficar um tempo lendo antes de me dirigir ao teatro do Sesc Vila Mariana, que não conhecia, mas como os demais de outras unidades prima pelo conforto e a boa visibilidade do palco, além de ter um som sempre bem legal.
O público era bem variado, pessoas que gostam de Rock, alternativos, pessoas mais velhas, havia de tudo um pouco, mas como de costume em São Paulo era um público bem silencioso antes da apresentação, e que costuma chegar ao local em cima da hora, até cinco minutos antes do espetáculo eu imaginei que o local fosse ficar vazio, mas encheu um pouco, e se não lotou pelo menos preencheu mais da metade dos lugares.
No palco algumas cadeiras, um piano e uma tela de projeção, quando então é anunciada a apresentação os músicos tomam seus lugares e André diz ao microfone com bom humor que aquilo seria um desafio para todos, a curiosidade aumentava.
O filme começa e a banda repleta de músicos competentíssimos inicia também sua apresentação. Focada em temas macabros que combinavam, com aquele que é um dos clássicos do cinema expressionista alemão.
Em várias cenas a música combinava perfeitamente com o filme, criando um clima denso, porém uma coisa começou a sair um pouco do contexto, as piadas, ok, as primeiras foram engraçadas por conta da banda, principalmente aquelas com a temática da psicanálise feitas pelo baixista, mas após algum tempo começaram a ser repetitivas a sair do contexto do filme, uma pena, não chegou a estragar a noite, mas sem as piadas, ou pelo menos sem as repetições teria sido muito melhor. Um dos grandes destaques foi a técnica do baixista, e a capacidade da banda em criar climas que encaixam totalmente na história, coisa bem complicada de fazer.
Se você nunca assistiu Nosferatu, assista ao filme é bem legal, hoje pode ser tosco, mas garanto que na época deve ter assustado bastante gente, e uma coisa eu digo é muito, mas muito melhor que esses filmes de vampiro feitos para os adolescentes de hoje.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Alice Cooper – School’s Out, 1972.


Eu posso dizer sem dúvida que esse álbum mudou minha, estranho dizer isso, mas na primeira vez que o escutei em 1995 eu comecei a me interessar por Jazz, e gosto do estilo até hoje, então de certa forma essa play foi minha porta de entrada.
O legal de School’s Out já começa pela capa, muito criativa reproduz uma antiga carteira de escola, com algumas assinaturas, dos membros da banda, mas o que interessa mesmo é a música, e tudo começa com um dos maiores clássicos da carreira da banda, a faixa título, que imagino que dispense comentários, visto que está até em um dos jogos da série Guitar Hero, e tenho certeza que você já escutou alguma vez na vida.
“Looney Tune”é uma típica faixa do Alice Cooper’s Group, com uma interpretação bem legal de Alice, que pode não ser técnico, nem ter uma voz maravilhosa, mas com certeza é um grande intérprete que sabe contar uma história em forma de música.
“Gutter Cat Vs. The Jets” é simplesmente uma obra, prima, uma das músicas mais legais que conheço, começa com uma introdução genial de baixo, do grande Dennis Dunaway, que não é muito conhecido do grande público, mas para mim é um dos melhores e mais inventivos baixistas do Rock, a música então vai criando um clima muito bom, com variação de temas, e uma letra bem interessante narrada como se fosse a descrição de um conflito prestes a ocorrer, a frase de teclado é uma coisa que também fica na cabeça depois que se ouve, só ela já valeria a pena.
“Street Fight” é um pequeno solo de baixo, com uns sons de briga ao fundo, é o complemento natural da faixa anterior, temos então “Blue Turk” que nada mais é do que um Jazz, esse é outro grande destaque do disco uma música surpreendente, com direito até a solo de metais, por conta dela hoje costumo ouvir Jazz também.
“My Stars” começa tranquila com uma introdução de piano, mas logo explode em mais uma grande interpretação de Alice Cooper, na sequencia “Public Animal #9” é mais uma Rock And Roll total, com um refrão que entra fácil na cabeça.
“Alma Matter” tem cara de música dos anos 20, principalmente por conta do efeito utilizado na voz, é outra música que tem algumas variações no seu decorrer, e também um dos destaques do álbum, novamente com linhas de baixo geniais de Dunaway, infelizmente após temos “Grand Finale” que fazendo jus ao título encerra o álbum em grande estilo com um clima progressivo, essa faixa é instrumental e nela podemos ver a grande competência de toda a banda.
Uma pena que o álbum seja muito curto, menos de quarenta minutos, mas é daqueles que se você escutar uma vez vai ter vontade de escutar sempre. Um dos melhores álbuns de todos os tempos para mim, sem dúvida.