Caramba se passaram oito anos e parece que foi ontem que eu fui até o estádio redondo para assistir o grande Rush.
Felizmente para os fãs e desespero de todos os “modernos” e “indies”, a banda voltou ao Brasil, cada dia melhor e mais produtiva, vide os últimos lançamentos de qualidade, hoje talvez o Rush seja a maior banda de Rock And Roll em atividade do planeta, pelo menos para mim é.
Como de costume dediquei um bom tempo para fazer aquecimento para o show, um mês antes já enchi meu mp3 player com músicas do trio e fiquei ouvindo direto aguardando o grande momento de poder conferir tudo ao vivo.
Comprei meu ingresso no primeiro dia de vendas, e dessa vez, diferente de 2002 reasolvi comprar a tal pista premium, mesmo não concordando muito com isso era o melhor meio de assistir ao show de um local mais próximo, pelo menos dessa vez não haviam cadeiras na pista.
Li várias resenhas em jornais e fóruns internacionais, e todos eram unânimes em dizer que a banda estava afiadíssima, coisa que realmente eu nem teria como duvidar, visto a qualidade dos últimos dvds lançados pela banda.
A notícia que agradou a todos era de que a banda tocaria o álbum Moving Pictures na íntegra, mesmo não sendo meu favorito adoro esse play, e seria a minha primeira oportunidade de conferir um álbum inteiro tocado na íntegra.
Depois de muita espera finalmente chegava o dia especial, eu já sabia que perderia uma prova na universidade, mas a vida é dura, e valeria a pena o zero para poder assistir ao grande trio canadense.
Durante toda a semana choveu bastante, a previsão era de chuva no dia, mas nem isso me tirava o entusiasmo, aliás, até achei que seria interessante assistir ao show na chuva pois isso afastaria “turistas” do show, o que é sempre uma boa coisa.
No dia acabou não chovendo e a temperatura subiu bastante, foi até difícil me concentrar no serviço sabendo que mais tarde estaria diante de uma d minhas bandas favoritas, mas eu acabei fazendo tudo certinho como manda o script.
Saí do serviço e peguei o metrô desesperado até em casa, logicamente não deixei de escutar a banda um minuto sequer. Cheguei em casa onde meu irmão já estava aguardando, e fui tomar um banho rápido enquanto o Boninha não chegava, assim que chegou comi alguma coisa, enchi uma garrafinha de uísque e vesti minha camisa com estampa de cervejinhas, estava tudo pronto.
Pegamos o carro esperando por um trânsito infernal, que graças a astúcia do
Boninha em cortar o caminho acabou não acontecendo, durante o caminho escutávamos um pouco mais de Rush, e conversávamos sobre outros shows legais que havíamos assistido.
Chegamos a um hotel na região do estádio de onde sairiam umas vans com destino ao show, lógico que escolha do local foi infeliz, uma vez que é longe e não existe nem transporte público e nem vagas de estacionamento, mas o que se pode fazer? O jeito é esquecer tudo e curtir.
Ao chegar na porta do estádio, aproveitamos para tomar uma cerveja, já que ainda era cedo e faltava uma hora para o início do espetáculo.
Tomamos tranqüilamente a cerveja e tiramos algumas fotos na entrada, para então sem fila e com tranqüilidade entrarmos no recinto.
Uma vez lá dentro, reparei que o estádio não estava totalmente lotado como da outra vez, azar de quem não foi, e também é sempre melhor um local mais vazio para curtir o show, principalmente quando está cheio de reais fãs da banda, e não turistas que mal sabem o que fazem por ali.
Olhando em volta fiquei feliz em ver um público animado, felizmente um outro festival em outra cidade havia atraído os turistas de show, e deixaram o estádio redondo repleto de reis fãs da banda.
Tomamos mais algumas cervejas, que eram vendidas em grande escala, por um preço até justo. Para desespero dos críticos o local não estava repleto de fãs “nerds”, mas sim roqueiros reais e animados, talvez os “nerds” estivessem todos no outro festival assistindo a bandas mais “modernas”.
Pontualmente as 21:30 as luzes do estádio se apagam, e começa a introdução do show que trazia um vídeo engraçadíssimo onde os integrantes da banda simulavam estar em uma salsicharia, muito bom.
A banda entre no palco já detonando com Spirit of The Radio, com animação total de toda a platéia, começo simplesmente perfeito. Na seqüência vem Time Stands Still, música maravilhosa com uma letra linda, confesso que foi difícil conter as lágrimas nesse momento, e já na segunda canção eu já havia perdido totalmente a voz.
Presto veio na seqüência e foi um das grandes surpresas da turnê, onde o genial Alex Lifeson começou seu show particular de técnica e bom gosto, porra como toca esse cara!
Falando em tocar bem, o show agora ficava por conta de Geddy Lee, para mim o melhor baixista do mundo, com a pesada Stick It Out, que fez o público por vezes soar mais alto que os autofalantes do estádio.
Veio à cadenciada Working Them Angels, com imagens de um anjo no telão gigante do palco, aliás, falando em palco tudo era perfeito no show, o palco, iluminação, som, sem contar é lógico a grande qualidade técnica da banda, comentar isso é chover no molhado.
A instrumental Leave That Thing Alone fez todos viajarem, com direito a um show particular de Geddy Lee no baixo mais uma vez. Durante Faithless as cervejas começaram a dar efeito colateral então tive que ir ao banheiro e acabei somente escutando de lá a nova faixa BU2B.
Voltei a tempo de conferir Freewill, com um coro gigantesco do público, e a emocionante Marathon, com uma explosão legal durante a execução.
A última música da primeira parte do show foi a maravilhosa Subdivisions, poderia ficar o dia inteiro escrevendo de como a letra dessa música teve a ver comigo em certo momento, ou como a melodia é grandiosa, mas vou dizer somente uma coisinha, foi a melhor da primeira parte e uma das melhores músicas que já vi ao vivo na minha vida inteira, e olha que já vi show pra cacete.
Um breve intervalo, tempo para mais cervejas e mais banheiro, com direito a uma furada de fila fenomenal (não façam isso, só fiz porque além de ser imbecil iria acabar explodindo), e em poucos minutos mais um videozinho engraçado para introduzir a segunda parte do show.
Tom Sawyer veio com tudo, com macacos tocando instrumentos o telão e grande participação do público, que não deixou de agitar na maravilhosa Red Barchetta.
YYZ foi outro grande momento do show, com a platéia cantando a melodia principal da música para a alegria da banda, que não continha o sorriso e pulavam como crianças no palco.
Limelight trouxe mais emoção ao show, principalmente pelo solo maravilhoso de Lifesson, um dos melhores da história da música mundial em todos os tempos, sem exagero.
Uma das músicas mais esperadas por mim era The Câmera Eye, e a banda não decepcionou de forma alguma, fazendo desses dez minutos outro grande momento do show.
A macabra Witch Hunt, com fogo no palco e a viajante Vital Signs com todo estádio iluminado de luzes verdes encerraram a execução do clássico Moving Pictures, como prometido.
Só isso já estaria bom, mas tinha mais um pouco ainda, quando veio a nova e maravilhosa Caravan com todo seu peso e técnica, grande música.
Somente Neil Peart consegue fazer um solo de bateria como aquele, eu não sou fã desses solos, mas esse já valeria o ingresso, sem palavras, mesmo estando meio fora de forma o cara arrebenta.
Um pequeno solo de violão introduziu o clássico Closer To The Heart, cantada em uníssino pelo estádio inteiro mais uma vez e foram às luzes se apagarem e sons espaciais anunciarem 2112, para o estádio vir novamente abaixo, grande música onde deu para agitar bastante, por todo lado que eu olhasse somente via sorrisos estampados nos rostos de todos.
Far Cry encerrou em grande estilo mais essa parte do espetáculo, a banda então sai do palco por breves minutos e retorna com a instrumental La Villa Strangiato, sem dúvida a melhor do show, o modo como tocam essa complicada música chega mesmo a emocionar, mais uma que sozinha valeria o dobro do que paguei pelo caro ingresso.
No final Working Man, com direito a uma introdução reggae, e mais um videozinho bem legal, com muito bom humor no final, ne precisa dizer que voltei para casa feliz da vida, como acho que todos os presentes naquela noite mágica, espero que a banda não demore mais oito anos para voltar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário