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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Nuno Mindelis - Sesc Belenzinho, São Paulo 29/10/2011


Fazia bastante tempo que eu não assistia a um show do Nuno Mindelis, pensando bem, na verdade fazia até bastante tempo que eu não assistia a um show de blues, então a expectativa era até grande para a apresentação desse que é um dos maiores guitarristas do estilo na atualidade.
Esteva bem quente o dia e saí com destino ao Sesc Belenzinho com o sol ainda “trabalhando” no céu, seria a primeira vez que veria um show nesse local, mais precisamente no teatro, então existia também a curiosidade de saber como eram as coisas por lá.
Tomei o metrô cheio para um sábado à tarde, mas bem quem conhece São Paulo, sabe que por aqui essa de metrô vazio, principalmente a linha três (vermelha) é raridade. Mas como eu estava com meu inseparável tocador de música o caminho foi curto, e não tive que escutar conversa alheia, visto que aparentemente um grupo de mulheres conversava algo bem alto no vagão em que estava.
Cheguei ao local de show, e fui procurar pelo teatro, que fica no terceiro andar, quando desci do elevador tomei um susto, o local estava completamente vazio, com somente funcionários do local, até perguntei se haveria mesmo o show e me confirmaram que sim, nisso faltava trinta e cinco minutos para o horário marcado, vinte e uma horas.
Fiquei esperando em um confortável sofá, quando finalmente somente quando faltava quinze minutos o público, bem variado começou a aparecer, confesso que fiquei mais aliviado, apesar de ser legal ver um show vazio, isso acaba desvalorizando o artista, já tão pouco valorizado por aqui.
Entrei no teatro, e descobri que meu lugar tinha uma visão bem legal do palco, inclusive o local é muito confortável, com uma ótima visão para todos os presentes, e por ser pequeno cria uma atmosfera intimista, que realmente combina com o blues.
Com cinco minutos de atraso, as luzes se apagam, e a banda entra no palco, as guitarras soam, mas somente em alguns segundos temos Nuno Mindelis no palco, com um Fender Stratocaster vermelha tocando-a como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Aliás ver Nuno ao vivo, faz parecer que tocar guitarra é moleza, tamanha a habilidade do músico, que vai da suavizade ao peso em um piscar de olhos, sempre com muito feeling em seus solos.
O show começou com uma música instrumental, e logo esquentou com clássico do Blues, “Rock Me Baby” bem conhecido em várias versões, essa apresentada por Nuno nos remete a BB King, que segundo o guitarrista foi um das suas grandes influências, em certo momento do show, disse ele que com nove anos costumava ficar tocando nota por nota ouvindo os discos do mestre, e sugeriu isso aos guitarristas iniciantes ali presentes, sem dúvida grande conselho.
A banda era bem competente, tendo um baixista discreto, um baterista preciso e um tecladista que além de ser uma figura carismática, dava um brilho especial às músicas, como no caso de “Green Onions” clássico de Booker T and The MG’s um dos grandes destaques da noite.
A plateia assistia a tudo extasiada, e quando menos se espera Mindelis anuncia “I Know What You Want”, que seria a última da noite, nessa música ele resolve dar seu famoso passeio pela plateia, para delírio total de todos, o ponto alto do show, e de perto percebe-se ainda mais como o cara é competente, sem dúvida também um grande “show man”.
A banda ainda volta para executar “Hey Joe” famosa na versão de Jimi Hendrix, que fez todos irem para casa com um grande sorriso no rosto, infelizmente a apresentação foi só um pouco curta, cerca de uma hora e quinze minutos, mas foi realmente muito boa, espero que eu não fique tanto tempo assim sem sentir o Blues da próxima vez, se puder ir em um show do cara vá. Não gosta de Blues? Pode ter certeza que depois de ver um show como esse você vai acabar gostando.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Manilla Road - Invasion, 1980


Às vezes o mundo da música, assim como o mundo em si, é um lugar injusto, vide o caso do Manilla Road, uma banda muito pouco conhecida, mas de grande qualidade, enquanto temos diversos exemplos de artistas medíocres, ou mesmo horríveis com legiões de fãs, mas sabemos que pessoas inteligentes não ligam para a fama e sim para a qualidade das coisas, para essas vale a pena uma escutada no Manilla Road, que é o álbum dessa semana.
É difícil tentar descrever o som da banda, mas uma coisa é fácil, notar a originalidade desses caras, que fazem tudo com extrema qualidade. O som no geral é meio setentista, só que mais pesado, algo como um Dust mais moderno, com algumas pitadas de Rush antigo e NWOBHM.
O play começa com “The Dream Goes on”, uma faixa bem pesada, onde as influências dos primeiros álbuns do Rush são marcantes, os vocais fortes são o grande destaque. Na sequencia temos “Cat and Mouse”, que lembra em seu começo bastante coisas do álbum Fly By Night do já citado Rush, lembra também coisas feitas pelo Dust, a música tem boas variações, e sacadas criativas e de certa forma pouco usadas por outras bandas.
“Far Side Of The Sun” é pesadíssima, e sem dúvida nenhuma o grande destaque do play, tem um timbre moderno dos instrumentos, que depois foi bastante copiado principalmente por algumas bandas Grunge, a música em si lembra mesmo coisas como Medula e Kyuss, que certamente devem ter bebido da fonte. “Steet Jammer” é bem mais na cara, pesadíssima também e com um vocal furioso e totalmente único, onde o vocalista Mark Shelton, que também toca guitarra dá um verdadeiro show de interpretação e raiva.
“Centurion War Games” é uma balada mais épica, dá uma acalmada nas coisas e além do mais é uma ponte perfeita para o épico “The Empire”, com seus treze minutos e meio totalmente épicos fecha o álbum em grande estilo, com peso e variações de andamento, que fazem a faixa parecer ter somente três minutos.
“ Invasion” não é um álbum tão fácil, suas músicas são longas e por vezes complexas, mas depois que você se acostuma, é uma surpresa a cada nota, totalmente indicado para aqueles que curtem um som mais épico.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Ron Carter - Sesc Pinheiros, São Paulo 23/10/2011


Realmente não é todo dia que se tem a oportunidade de ver uma lenda tocando, ainda mais pagando um preço baixo por isso, portanto era obrigação assistir a esse show, mesmo estando meio cansado da apresentação do Saxon na noite anterior, e ainda meio mal de saúde, mas não daria para deixar passar a chance de ver o grande Ron Carter ao vivo.
Comprei o ingresso com uma boa antecedência, e depois foi só esperar o dia que finalmente chegou. Saí de casa cedo pois naquele mesmo dia aconteceria uma exposição sobre o mito Miles Davis, aliás o show de Carter seria em homenagem a Miles, e seria baseado em seu álbum Dear Miles.
Não sou um grande conhecedor de Jazz, confesso, mas sempre estou ouvindo o estilo, e na medida do possível tento me atualizar e prender um pouco mais, por conta disso foi bem legal ver a exposição antes do show, que contava inclusive com um trompete utilizado por Miles.
Era chegado o momento, entro no teatro do Sesc e me deparo com um público totalmente distinto, desde adolescentes, até senhores, bem legal essa mistura, embora certa parte do público me parecesse de certa forma esnobe.
Sentei em meu lugar, que por sinal ficava em ótima posição e foi só esperar o momento do mestre subir ao palco. Com dez minutos de atraso surge a banda, todos vestidos com extrema elegância e demonstrando carisma, agradecem ao público e então surge em cena o mestre Carter.
Serei sincero, não sei qual foi o repertório tocado na noite, já que me pareceu ser diferente do programa inicial, então para não escrever mais bobeiras do que já escrevo, vou fazer um comentário diferente, uma geral na banda, e um pouco de cada integrante.
A banda é muito coesa e técnica, esbanjam simpatia e carisma, e conseguem ir do mais suave ao mais pesado, em um mesmo tema, com direito a vários improvisos com bastante inspiração, sem dúvida músicos geniais.
A pianista Irene Rosnes, é a mais discreta da banda, mais preocupada com a parte rítmica, improvisava pouco, mas segurava bem a cozinha para o trio restante brilhar, o grande destaque foi a introdução de “My Funny Valentine”, que segundo o simpático Carter era sua música favorita aquela noite.
O percursionista Rolando Morales era sem dúvida nenhuma uma figura, muito brincalhão improvisou bastante, e “brincou” com seu imenso kit de percussão, com direito a um belo solo de bongo.
Payton Crossley, o baterista da banda, é extraordinário, segura muito bem o ritmo, deu show principalmente com o uso da baquetas “vassourinha” e seu solo foi uma das coisas mais impressionantes que vi em toda a minha vida, ele conseguiu alternar volume e intensidade, sem diminuir a velocidade, criando um efeito até difícil de descrever, foi sem dúvida um dos grandes destaques do show.
Não é a toa que Ron Carter é um dos mais respeitados baixistas de toda a história, o que o cara faz é impressionante, vendo-o tocar parece que a coisa é fácil. Armonias complexas, slides, harmônicos, o cara realmente abusa do bom gosto, e quando retornou ao palco sozinho após o show para mais um solo, foi realmente indescritível a qualidade, sem dúvida um dos melhores músicos que já vi ao vivo.
No final das contas deu para voltar para casa contente, e com sede de me aprofundar mais no Jazz, com certeza após essa apresentação dedicarei mais tempo dos meus ouvidos para essa nobre música.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Saxon - HSBC Brasil, São Paulo 22/10/2011


Demorou bastante para que eu pudesse ver novamente ao show de uma das minhas bandas favoritas sempre, o Saxon, mas realmente pelo show valeu muito a pena, tudo bem, não foi tão memorável como aquelas apresentações no antigo Palace, mas foi um concerto digno de nota 10.
Durante a semana eu estive meio donte, fiquei até receoso em perder o show, mas tomando a medicação e não abusando, eu resolvi arriscar assim mesmo, o ruim seria ficar o tempo todo sem beber nada.
Peguei o trem, e logo estava na estação próxima ao local do show, teria um trajeto de cerca de quinze minutos até a casa de shows, e confesso que foi difícil esse caminho, visto que eu estava tossindo bastante e sentindo falta de ar, mas vamos lá, qualquer coisa eu ficaria mais quieto e curtindo o show do fundo, mas não dava mesmo para perder a oportunidade.
Cheguei na casa e encontrei o local até bem vazio, e já faltava meio hora para o show, nos arredores também não notei muita gente, o público até melhorou um pouco mas a casa acabou não enchendo, para quem não viu perdeu um grande show, repito novamente.
Um coisa que não entendi nesse show foi a “pista Vip”, ok até concordo com isso em outros shows, de outros estilos musicais, ou mesmo de Metal, mas em locais abertos, nunca em uma casa de shows pequena, mas o que se pode fazer? Não fiquei tão perto do palco, mas acabei vendo o show de boa, aliás era a primeira vez que visitava a casa e gostei bastante, não fica longe da estação de trem, e o interior é bem confortável possibilitando uma visão legal para todos, inclusive com telões dos lados do palco, somente fica essa ressalva contra o setor pista vip em shows de Metal de pequeno porte.
Pontualmente, dez da noite as luzes se apagam e começa a introdução, que para ser sincero foi um saco, pois é meio longa demais, após essa ansiedade inicial heis que surge o grande Saxon no palco com a nova “Hammer Of The Gods” que contou com boa participação da plateia, mas nada parecido com o que viria a seguir com o clássico “Heavy Metal Thunder”, realmente poucas bandas podem se dar ao luxo de queimar um clássico como esse logo no início do show.
“Never Surrender” mantém o público em êxtase cantando cada estrofe a plenos pulmões, realmente algo que é difícil acontecer em outros estilos que não o Metal. Na sequência “Chansing The Bullet” serviu de descanso para a casa voltar a se incendiar em “Motorcycle Man” onde cheguei a ver um cara chorando do meu lado.
“Back in 79” foi mais uma das novas bem recebida pelo público, que cantou bastante o refrão, foi então que veio mais um grande clássico “And The Bands Played On” uma das minhas favoritas, que mais uma vez soou maravilhosa ao vivo.
Após esse furacão o show estranhamente deu uma desanimada, foram tocadas “Mists Of Avalon”, “Demon Sweeney Todd” e “Call To Arms”, na sequência, foi meio um balde de água fria, principalmente as duas baladas do novo álbum, de onde podiam ser executadas outras músicas mais legais, mas tudo bem, deu um tempo para descansar o pescoço.
Quando os primeiros acordes de “Dallas 1pm” soaram parecia que o show tinha começado novamente, tamanha a animação do pessoal, e não era para menos vista a qualidade desse grande clássico do Metal. “Rock And Roll Gypsy” foi uma das melhores da noite principalmente porque eu nunca havia escutado essa música ao vivo, ela também está entre as minhas favoritas da banda.
“Rock The Nations” foi a grande supresa da noite, sendo muito bem recebida pelo público foi um grande destaque, idem a sequência com “Battle Cry” do mesmo álbum.
“When Doomsday Comes (Hybrid Theory), com seu riff bem parecido com “Perfect Strangers” do Deep Purple agradou bem o pessoal, e soou como um das melhores do novo álbum, foi então a vez de “Denim And Leather” quase derrubar a casa, foi lindo ver todos cantando e agitando bastante nesse clássico.
Falando em clássico foi outra surpresa a execução de “20.000ft” em uma versão rápida e arrasadora, abrindo espaço para o hino “Wheels Of Steel”, que imagino que deva ter o refrão cantado até por quem estava do lado de fora da casa.
Uma rápida saída e Paul Quinn, retorna ao palco e começam os primeiros acordes de “Cruzader”, não precisa dizer qual foi a reação do público, aliás é mágico escutar essa música ao vivo e ver Nigel Glocker na bateria com seu óculos escuros, e Paul detonando em um dos melhores solos da história da música, voltei a ter dezesseis anos nesse momento,a essa altura acho que eu já estava até curado da infecção pulmonar, visto que estava cantando junto sem tossir e agitando feito um louco.
Mais um momento para cantar junto foi “747 Strangers In The Night” maravilhosa ver~soa ao vivo.
Mais um saída do palco e dessa vez Doug Scarratt retorna ao palco e pós um breve solo inicia o clássico riff do hino “Power And The Glory”, mais uma vez a loucura toma conta do local, impossível ficar parado e não agitar e cantar junto. Quando Biff Byfford anuncia que tocaraim uma música que não haviam tocado em tours na América do Sul antes, imaginei o que poderia ser, e para minha surpresa veio “Ride Like The Wind”, que ficou muito legal ao vivo, me fazendo lembrar de quando ouvia o “Greatest Hits Live” quase todo dia, momento mágico também.
Bem eu sabia que o show estava acabando, e até podia ter acabado naquele momento, mas ainda faltava pelo menos mais uma música que não poderia ser esquecida. A banda sai do palco novamente, e dessa vez quem retorna sozinho para um curto solo é Nibbs Carter, que por sinal é um grande baixista e agita sem parar durante o show todo, foi então executada “Strong Arm Of The Law” clássico do álbum de mesmo nome. Sem grandes pausas começam os primeiros acordes da maravilhosa “Princess Of The Night”, uma das minhas músicas favoritas, não só da banda, mas do geral, é simplesmente indescritível ouvir isso ao vivo, somente ela já valeria o ingresso, um grande encerramento para duas horas de puro Metal, com uma das maiores bandas da história, espero que não demore tanto para ver eles novamente.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Saxon - Call To Arms, 2011


Aproveitando a visita do Saxon ao Brasil, resolvi ouvir durante essa semana o álbum novo da banda “Call To Arms”, então vmos lá ao que achei dele.
Difícil não reparar logo de cara na capa, que por sinal é muito legal e criativa, se destaca logo de cara, sendo diferente da maioria de capas das bandas do estilo.
O disco começa com a rápida e empolgante “Hammer Of The Gods”, que tem um riff de guitarra bem característico do Saxon, principalmente no que foi feito nos últimos álbuns da banda, na sequência, “Back In 79”, é um pouco mais lenta, mas ideal para ser tocada ao vivo por conta do refrão fácil e pegajoso.
Quando os primeiros acordes de “Surviving Against The Odds” soam, é impossível não abrir um sorriso, essa música é muito boa, veloz e com um riff bem legal também, lembrar muito o velho Saxon dos anos 80 e com certeza é um dos pontos alto do disco. Falando em anos 80 a introdução de “Mists Of Avalon” lembra bastante o clássico “Nightmare” do álbum “Power and The Glory”, pena que somente a introdução lembre, pois a música em si é um pouco arrastada, e não é das mais interessantes feita pela banda.
A faixa título, não é ruim, mas é lenta, e vem depois de outra lenta, o que quebra um pouco o impacto inicial do play, que acaba não levantando o astral em “Chasing The Bullet”, uma música que também acaba passando despercebida.
A velocidade e qualidade volta em “Afterburner”, que lembra o Saxon do começo dos anos 90, uma pouco mais pesado e rápido, a seguir temos "When Doomsday Comes (Hybrid Theory soundtrack)”, que tem um riff que lembra bastante “Perfect Strangers” do Deep Purple, é uma música que também deve funcionar bem ao vivo.
Quando pensamos que tudo voltaria ao normal, vem a fraca “No Rest For The Wicked” que é facilmente esquecida após a audição, porém após esse momento não inspirado surge a grande surpresa do disco “Ballad Of The Working Man”, uma música muito legal, que tem um riff totalmente Thin Lizzy, e volta a empolgar o ouvinte, mas infelizmente tarde, pois no final temos somente uma versão orquestrada da faixa título, que soa um tanto quanto desnecessária, por ser bem parecida com a original, mesmo assim não significa que seja ruim.
No balanço final, “Call To Arms” não é um álbum ruim, para para quem tem tantas obras primas no currículo o grande Saxon ficou devendo nessa.
Se você não conhece a banda é melhor não começar por esse play, mas se já é fã, vale ouvir, talvez você se empolgue um pouco mais que eu.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Quarteto De Cordas Da Cidade De São Paulo - Theatro Mvnicipal, São Paulo 08/10/2011


Bem vamos por partes. Primeiro não sou um grande conhecedor da música erudita, como esse tipo de música deve ser escutada ou ao vivo, em boas salas de espetáculo, ou em casa com um bom aparelho de som, acabo não escutando muito, porque a maioria do que ouço é na rua com fones de ouvido( infelizmente).
Até por não conhecer tanto assim, nem vou falar de coisas técnicas, caso contrário irão me massacrar com toda a razão, então vamos comentar como um leigo, que realmente é o que sou para esse tipo de música.
Eu já havia estado no Theatro Mvnicipal( vou usar essa nomenclatura, que está no programa oficial) mas nas duas ocasiões em que estive lá eu não vi música ao vivo, pois eram peças de teatro, então esse seria meu debute em um concerto musical no local.
Saí de casa depois que passou a chuva, e fui andando, e escutando Saxon( por mais que duvidem o Metal tem muito a ver com música erudita, não necessariamente o Saxon, mas outras bandas tem bastante), e cheguei cedo ao local, que não fica longe de casa.
Desnecessário falar sobre a beleza do Theatro, que está em seu centenário. Mas é engraçado ver como as pessoas se portam lá dentro. Muitas tiram fotos do local, fazem pose, circulam sem parar, o que não é errado, pois realmente é um belo local. Alguns outros fazem pose de intelectuais, e grandes entendedores, bem alguns até são, mas há que se desconfiar.
A presença de pessoas de maior idade é maciça, o que é bem justificável, visto que a molecada de hoje pouco se interessa por música, imagina por uma música que exige um pouco mais de atenção e “audição” para ser apreciada?
Também é engraçado ver mulheres já de certa idade vestindo minissaias e desfilando como se fossem misses em um concurso de beleza, mas tudo bem cada um se veste de modo a se sentir confortável, e se elas fazem isso é porque há quem goste.
Eu até pensei em tomar uma cerveja, mas o bar estava meio lotado, e quente, fazia bastante calor no dia, então fiquei somente lendo o programa no salão, seria mais proveitoso.
Já sentado em meu lugar, reparei mais uma vez como o local é bonito por dentro, creio que todo o paulistano deveria fazer uma visita ao Theatro, garanto que mais da metade vai sentir vontade de voltar. Impossível também não imaginar como seria aquilo em outra época.
No horário marcado o quarteto formado por: Betina Stegmann ( violino), Nelson Rios (violino), Marcelo Jaffé ( viola) e Robert Suetholz( violoncelo, muito parecido com o jogador Wayne Rooney por sinal) entram no palco, e como um bom mestre de cerimônias Marcelo, comenta o que seria apresentado a seguir.
A primeira parte do concerto foi composta pela “Cavatina do Quarteto, Op. 163” de Beethoven, uma peça curta, de cerca de 10 minutos bastante intensa, e bem sofisticada, deve realmente ser complicado tocar isso.
Antes da segunda parte, Marcelo convida seu irmão Claudio Jaffé( violoncelo) para se juntar ao quarteto no palco. Novamente o violista( essa palavra existe?) conta um pouco sobre a peça, e a vida de Franz Schubert, com bastante simpatia e bem didático, confesso que somente essa “aula” já valeria o concerto, gostei bastante, mas a música estava por vir.
“Quinteto em Dó Maior, Op. 163” de Schubert, se mostrou uma peça muito técnica também, com várias mudanças de andamento, provavelmente a execução deve ser dificílima também. Como disse antes não sou grande conhecedor desse tipo de música, mas me agradou principalmente a segunda parte( de quatro) onde existem partes realmente densas, e alguns quase improvisos do violoncelo e violino, enquanto o restante do grupo mantém o tema, muito interessante, também gostei das sutilezas que somente são perceptíveis com bastante atenção.
A plateia é bem interessante nesses locais, pois enquanto havia pessoas que prestavam atenção, outras choravam, e algumas até dormiam, sem dúvida um show a parte, e o mais legal que devia ser sempre repetido todos em silêncio( tirando uns roncos que escutei) e sem ficarem tirando fotos a todo instante, parabéns aos espectadores.
No final a única coisa que restou foi aplaudir a bela execução, e esperar para repetir a experiência, pois realmente vale a pena.
Aquele que acompanham o blog e gostam do Metal, poderiam fazer isso um dia, e aqueles que caíram aqui por acidente e preferem a música erudita, que tal um dia dar uma chance para o Metal também? Vão perceber que o estilo bebeu muito nessa fonte.