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terça-feira, 25 de outubro de 2011
Ron Carter - Sesc Pinheiros, São Paulo 23/10/2011
Realmente não é todo dia que se tem a oportunidade de ver uma lenda tocando, ainda mais pagando um preço baixo por isso, portanto era obrigação assistir a esse show, mesmo estando meio cansado da apresentação do Saxon na noite anterior, e ainda meio mal de saúde, mas não daria para deixar passar a chance de ver o grande Ron Carter ao vivo.
Comprei o ingresso com uma boa antecedência, e depois foi só esperar o dia que finalmente chegou. Saí de casa cedo pois naquele mesmo dia aconteceria uma exposição sobre o mito Miles Davis, aliás o show de Carter seria em homenagem a Miles, e seria baseado em seu álbum Dear Miles.
Não sou um grande conhecedor de Jazz, confesso, mas sempre estou ouvindo o estilo, e na medida do possível tento me atualizar e prender um pouco mais, por conta disso foi bem legal ver a exposição antes do show, que contava inclusive com um trompete utilizado por Miles.
Era chegado o momento, entro no teatro do Sesc e me deparo com um público totalmente distinto, desde adolescentes, até senhores, bem legal essa mistura, embora certa parte do público me parecesse de certa forma esnobe.
Sentei em meu lugar, que por sinal ficava em ótima posição e foi só esperar o momento do mestre subir ao palco. Com dez minutos de atraso surge a banda, todos vestidos com extrema elegância e demonstrando carisma, agradecem ao público e então surge em cena o mestre Carter.
Serei sincero, não sei qual foi o repertório tocado na noite, já que me pareceu ser diferente do programa inicial, então para não escrever mais bobeiras do que já escrevo, vou fazer um comentário diferente, uma geral na banda, e um pouco de cada integrante.
A banda é muito coesa e técnica, esbanjam simpatia e carisma, e conseguem ir do mais suave ao mais pesado, em um mesmo tema, com direito a vários improvisos com bastante inspiração, sem dúvida músicos geniais.
A pianista Irene Rosnes, é a mais discreta da banda, mais preocupada com a parte rítmica, improvisava pouco, mas segurava bem a cozinha para o trio restante brilhar, o grande destaque foi a introdução de “My Funny Valentine”, que segundo o simpático Carter era sua música favorita aquela noite.
O percursionista Rolando Morales era sem dúvida nenhuma uma figura, muito brincalhão improvisou bastante, e “brincou” com seu imenso kit de percussão, com direito a um belo solo de bongo.
Payton Crossley, o baterista da banda, é extraordinário, segura muito bem o ritmo, deu show principalmente com o uso da baquetas “vassourinha” e seu solo foi uma das coisas mais impressionantes que vi em toda a minha vida, ele conseguiu alternar volume e intensidade, sem diminuir a velocidade, criando um efeito até difícil de descrever, foi sem dúvida um dos grandes destaques do show.
Não é a toa que Ron Carter é um dos mais respeitados baixistas de toda a história, o que o cara faz é impressionante, vendo-o tocar parece que a coisa é fácil. Armonias complexas, slides, harmônicos, o cara realmente abusa do bom gosto, e quando retornou ao palco sozinho após o show para mais um solo, foi realmente indescritível a qualidade, sem dúvida um dos melhores músicos que já vi ao vivo.
No final das contas deu para voltar para casa contente, e com sede de me aprofundar mais no Jazz, com certeza após essa apresentação dedicarei mais tempo dos meus ouvidos para essa nobre música.
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