Resenhas de shows, discos, livros, filmes...Tudo com minha opinião e sem nenhum compromisso jornalístico. Feito somente por diversão.
Total de visualizações de página
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Quarteto De Cordas Da Cidade De São Paulo - Theatro Mvnicipal, São Paulo 08/10/2011
Bem vamos por partes. Primeiro não sou um grande conhecedor da música erudita, como esse tipo de música deve ser escutada ou ao vivo, em boas salas de espetáculo, ou em casa com um bom aparelho de som, acabo não escutando muito, porque a maioria do que ouço é na rua com fones de ouvido( infelizmente).
Até por não conhecer tanto assim, nem vou falar de coisas técnicas, caso contrário irão me massacrar com toda a razão, então vamos comentar como um leigo, que realmente é o que sou para esse tipo de música.
Eu já havia estado no Theatro Mvnicipal( vou usar essa nomenclatura, que está no programa oficial) mas nas duas ocasiões em que estive lá eu não vi música ao vivo, pois eram peças de teatro, então esse seria meu debute em um concerto musical no local.
Saí de casa depois que passou a chuva, e fui andando, e escutando Saxon( por mais que duvidem o Metal tem muito a ver com música erudita, não necessariamente o Saxon, mas outras bandas tem bastante), e cheguei cedo ao local, que não fica longe de casa.
Desnecessário falar sobre a beleza do Theatro, que está em seu centenário. Mas é engraçado ver como as pessoas se portam lá dentro. Muitas tiram fotos do local, fazem pose, circulam sem parar, o que não é errado, pois realmente é um belo local. Alguns outros fazem pose de intelectuais, e grandes entendedores, bem alguns até são, mas há que se desconfiar.
A presença de pessoas de maior idade é maciça, o que é bem justificável, visto que a molecada de hoje pouco se interessa por música, imagina por uma música que exige um pouco mais de atenção e “audição” para ser apreciada?
Também é engraçado ver mulheres já de certa idade vestindo minissaias e desfilando como se fossem misses em um concurso de beleza, mas tudo bem cada um se veste de modo a se sentir confortável, e se elas fazem isso é porque há quem goste.
Eu até pensei em tomar uma cerveja, mas o bar estava meio lotado, e quente, fazia bastante calor no dia, então fiquei somente lendo o programa no salão, seria mais proveitoso.
Já sentado em meu lugar, reparei mais uma vez como o local é bonito por dentro, creio que todo o paulistano deveria fazer uma visita ao Theatro, garanto que mais da metade vai sentir vontade de voltar. Impossível também não imaginar como seria aquilo em outra época.
No horário marcado o quarteto formado por: Betina Stegmann ( violino), Nelson Rios (violino), Marcelo Jaffé ( viola) e Robert Suetholz( violoncelo, muito parecido com o jogador Wayne Rooney por sinal) entram no palco, e como um bom mestre de cerimônias Marcelo, comenta o que seria apresentado a seguir.
A primeira parte do concerto foi composta pela “Cavatina do Quarteto, Op. 163” de Beethoven, uma peça curta, de cerca de 10 minutos bastante intensa, e bem sofisticada, deve realmente ser complicado tocar isso.
Antes da segunda parte, Marcelo convida seu irmão Claudio Jaffé( violoncelo) para se juntar ao quarteto no palco. Novamente o violista( essa palavra existe?) conta um pouco sobre a peça, e a vida de Franz Schubert, com bastante simpatia e bem didático, confesso que somente essa “aula” já valeria o concerto, gostei bastante, mas a música estava por vir.
“Quinteto em Dó Maior, Op. 163” de Schubert, se mostrou uma peça muito técnica também, com várias mudanças de andamento, provavelmente a execução deve ser dificílima também. Como disse antes não sou grande conhecedor desse tipo de música, mas me agradou principalmente a segunda parte( de quatro) onde existem partes realmente densas, e alguns quase improvisos do violoncelo e violino, enquanto o restante do grupo mantém o tema, muito interessante, também gostei das sutilezas que somente são perceptíveis com bastante atenção.
A plateia é bem interessante nesses locais, pois enquanto havia pessoas que prestavam atenção, outras choravam, e algumas até dormiam, sem dúvida um show a parte, e o mais legal que devia ser sempre repetido todos em silêncio( tirando uns roncos que escutei) e sem ficarem tirando fotos a todo instante, parabéns aos espectadores.
No final a única coisa que restou foi aplaudir a bela execução, e esperar para repetir a experiência, pois realmente vale a pena.
Aquele que acompanham o blog e gostam do Metal, poderiam fazer isso um dia, e aqueles que caíram aqui por acidente e preferem a música erudita, que tal um dia dar uma chance para o Metal também? Vão perceber que o estilo bebeu muito nessa fonte.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário