Bem, na realidade eu nem iria assistir esse show, visto que
estava sem grana por estar desempregado, mas acabei ganhando o ingresso de
presente de natal do meu irmão, e tenho que confessar que o presente foi muito
bom, pois o show foi realmente surpreendente.
Durante a semana enquanto aguardava o dia, tive a grande
notícia que o Viper abriria o show, seria legal, pois realmente estava bem
curioso para ver algum show de nova tour dos caras e ver como estavam no palco,
visto que fazia um tempão que não assistia a banda ao vivo.
No dia do show o trânsito estava muito tranquilo, nem
parecia que estava acontecendo algo, visto que pouquíssimas pessoas circulavam
ao redor do Anhembi, e olha que chegamos lá por volta das sete e meia da noite,
e o show começaria às nove e meia, até para entrar no local não demorou mais
que dez minutos, bem que poderia ser sempre assim.
Uma pequena espera e às oito e meia em ponto o Viper sobe ao
palco com “Knights Of Destruction”, bem o som estava terrível, o baixo
estourando e era difícil escutar as guitarras e a voz, até demorei um pouco
para reconhecer que música estavam tocando. Na sequência “To Live Again” veio
com uma melhor equalização, e já deu para notar que André Matos realmente não
consegue atingir os agudos de outrora, por um lado isso é bom, pois aqueles
agudos do Angra, por exemplo, não me agradavam, por outro era ruim, pois as músicas
do Theatre of Fate exigem um alcance maior.
“Prelude To Oblivion” veio a seguir e novamente o som voltou
a ficar embolado, com o baixo extremamente alto e as guitarras quase
inexistentes, o problema persistiu em “A Cry From The Edge” e só foi melhorar
novamente no clássico “Living For The Night” que teve até boa participação do
público.
Com o som melhor foi mais fácil perceber que a voz do André
hoje em dia se adapta muito bem as músicas da fase em que Pit Passarell era
vocalista da banda, pois “Rebel Maniac” ficou realmente legal, e falando em Pit
o cara parecia estar muito louco, mas deixa isso para lá. A banda encerrou com “We
Will Rock You” cover do Queen em sua já conhecida versão mais pesada, pena só
que o som estava embolado e o show foi curto, mas foi bem legal, ótima escolha
para a abertura.
Quase no horário marcado as luzes se apagam e a famosa frase
“You Wanted the Best, you got the best, the hottest band in the world Kiss” e a
banda entra detonando com “Detroit Rock City” um começo muito legal, que
realmente parece com os vídeos dos anos setenta, era muito bom ver também que
dessa vez o público iria participar do show, como foi visto em “Shout It Loud”
com todos cantando junto.
“Calling Dr. Love” é realmente uma música feita para ser
tocada ao vivo, é impossível não cantar junto com o refrão fácil, típico do
Kiss. E tudo era perfeito no show o palco, com seu telão gigante, o som, com um
volume ideal, não estourando e também não muito baixo, e lógico o principal,
pois não adiante nada um aparato tecnológico se a banda é ruim e tem um
repertório ruim, pois bem com o Kiss isso não acontece, pois mesmo se o show
fosse em um boteco sem palco seria muito legal tendo em vista a qualidade dos
músicos e do repertório escolhido.
Nas novas “Hell or Halleluja” e “Wall Of Sound” o público
até deu uma pequena esfriada, mas isso é até comum quando as bandas tocam
músicas mais novas, de todo modo ambas funcionaram bem ao vivo e a empolgação
voltou em “Hotter Than Hell” com direito a Gene cuspindo fogo.
Era bem legal olhar em volta e ver várias pessoas usando
maquiagem como a banda, algumas estavam muito bem feitas, outras eram hilárias
principalmente um gordão pintado de Vinnie Vincent que estava perto de mim, o
negócio só pode ter sido feito de propósito, pois estava realmente péssimo.
Mas voltando ao show, o que se viu em “I Love It Loud” foi
realmente de arrepiar, pois acredito que todo mundo cantava junto, e realmente era
impossível ouvir a banda nesse momento, bem isso é esperado, mas presenciar ao
vivo é sempre legal.
“Outta This World” traz Tommy Thayer nos vocais, que não
decepciona, mas é muito melhor guitarrista que vocalista, isso dava para
perceber em como os backing vocals de Gene encobriam sua voz, e no papel de Ace
Frehley ele se saiu perfeito, imitando até mesmo os gestos do guitarrista
original da banda, porém quando impõe a sua marca nas músicas mostra que é bem competente.
Geralmente eu acho solos durante os shows um saco, mas até
que o solo de Tommy e Eric Singer juntos foi legal, com direito a pirotecnias e
bateria suspensa, além do mais os dois mostram o talento durante o ato.
O solo de Baixo de Gene Simmons também é muito legal, pelo
menos na parte visual com a clássica cuspida de sangue, então no alto do palco
ele manda ver “God Of Thunder” com certeza uma das melhores do show, sem
dúvida.
“Psycho Circus” foi uma bela surpresa no set e agradou
bastante o público que agitou muito nessa música. Uma música que eu adoro do
Kiss é “War Machine” e ao vivo ele fica ainda mais legal e pesada, não preciso
nem dizer que foi a melhor da noite, com direito a várias imagens de um
exército marchando no telão gigante, isso vai demorar para sair da memória.
Agora era hora de Paul voar sobre o público e ir cantar “Love
Gun” perto da torre de som e luz, o efeito é bem legal, mas na minha opinião
essa foi a música mais fraca do show, embora mesmo assim tenha sido muito acima
da média.
Infelizmente quando soaram os primeiros acordes de “Balck
Diamond” o show estava chegando ao final, porém foi mais um dos grandes
momentos do show, com Eric Singer cantando muito e uma iluminação bem legal no
palco, novamente lembrando os anos setenta.
A banda sai do palco por um instante e volta com o clássico “Lick
It Up” em uma versão mais longa, com até um trechinho de “Won't Get Fooled
Again” do The Who e uma
participação grande do público, certamente outra entre as melhores da noite.
“I Was Made For Lovin’ You” e “Rock And Roll All Nite” com
direito a chuva de papéis picados, imagens das várias versões do logo clássico
da banda no telão e Paul destruindo sua guitarra encerram em grande estilo esse
que foi um dos shows mais legais que já vi.
No final ainda teve uma chuva de fogos de artifício digna de
fim de ano e uma mensagem no telão dizendo “Brazil Kiss loves you” e o som de “God
Gave Rock And Roll To You II” rolando nos auto falantes, simplesmente perfeito.

Salve Luciano... seu texto mostra que realmente vc é um espectador sempre ativo. Kiss alive é um autêntico show de rock que tem apenas um único compromisso.... Rock´n Roll All Nite. Uma banda sem a pretensão de ser a banda mais técnica do mundo e busca fazer um rock de festa e curtição... adoro essa banda. Fiquei curioso: o show acabou tendo lotação total? abrasss....
ResponderExcluirBeleza Cléssio?
ResponderExcluirRealmente os caras não se preocupam em ser os melhores tecnicamente, mas dá pra ver que eles manjam bastante o que estão fazendo.
Sobre a lotação, acho que não chegou a ficar totalmente cheio não, mas tinham bastante gente, podiam fazer nos shows o que fazem no futebol, divulgar o público presente, mas acho difícil acontecer.